"Esta dissertação apresenta a OntoMPO, uma ontologia de domínio desenvolvida com o objetivo de formalizar o Modelo para Observatórios de Projetos (MPO) [1], originalmente proposto como um modelo conceitual para apoiar a análise e o desenvolvimento de observatórios de projetos. Apesar de sua relevância, o MPO é descrito em linguagem natural, o que limita sua precisão semântica, dificulta a interoperabilidade e restringe sua aplicação em contextos computacionais. Para superar essas limitações, esta pesquisa propõe a construção de uma ontologia que explicita, de forma sistemática, os conceitos, relações, atributos e restrições semânticas do modelo. O desenvolvimento da ontologia segue a metodologia Methontology [2], contemplando as etapas de especificação, conceitualização, formalização, integração, implementação e avaliação. A modelagem ontológica é fundamentada em OntoUML [3], garantindo rigor semântico, e sua implementação é realizada na linguagem OWL. A avaliação da ontologia envolve validação conceitual e verificação lógica, com base em questões de competência, assegurando sua consistência interna e aderência ao modelo original. Como resultado, a OntoMPO estabelece uma base semântica coerente e formalmente definida, contribuindo para a redução de ambiguidades, padronização conceitual e apoio a futuras aplicações no domínio de observatórios de projetos."
" O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por alterações na comunicação social e por padrões restritos e repetitivos de comportamento. O diagnóstico permanece predominantemente clínico, baseado em avaliações comportamentais e escalas padronizadas, o que pode introduzir subjetividade e atrasos na identificação precoce. Nesse contexto, sinais de eletroencefalografia (EEG) têm sido investigados como potenciais biomarcadores objetivos capazes de auxiliar no processo diagnóstico por meio de técnicas de Inteligência Artificial. Esta tese propõe e avalia uma arquitetura comparativa para apoio ao diagnóstico do TEA baseada na modelagem computacional de sinais de EEG, explorando cinco estratégias distintas de representação do sinal: atributos explícitos, representações wavelet, imagens estruturais ASTERI, DWNN e de mapeamento cerebrais. Os experimentos foram conduzidos em uma base de dados adulta da Universidade de Sheffield e uma base infantil do Mendeley, permitindo analisar o impacto da variabilidade etária e neurofisiológica sobre o desempenho dos modelos. A metodologia adotada incluiu pré-processamento padronizado dos sinais, segmentação temporal, organização dos dados e separação por indivíduo entre os conjuntos de treinamento e teste, mitigando vazamento de dados. Foram avaliados classificadores estatísticos clássicos, árvores de decisão, florestas aleatórias e Máquinas de Vetor de Suporte, além de estratégias híbridas integrando arquiteturas profundas. Os resultados demonstraram que a representação do sinal exerce impacto direto no desempenho classificatório. Na abordagem baseada em topomapas, o modelo SVM com kernel polinomial de grau 2 atingiu 97,04% de acurácia na etapa de treinamento da base Sheffield, com índice Kappa de 0,94, mantendo desempenho consistente no conjunto de teste independente. Já a abordagem baseada em DWNN apresentou os resultados mais robustos, alcançando 97,4% de acurácia e Kappa de 0,948 na base Mendeley, com elevada estabilidade entre treinamento e teste. Em cenários com seleção de atributos, foram observadas acurácias superiores a 98%, evidenciando alto poder discriminativo de subconjuntos compactos de características. De forma consolidada, os resultados evidenciam que a representação do sinal é determinante para o desempenho dos classificadores, sendo possível alcançar elevados níveis de acurácia quando há alinhamento entre modelagem e técnica de aprendizado. Observou-se que métodos clássicos combinados com seleção de atributos podem atingir desempenho comparável a arquiteturas mais complexas. Conclui-se que modelos de aprendizado de máquina aplicados a sinais de EEG apresentam potencial como ferramenta complementar no apoio ao diagnóstico do TEA, contribuindo para maior objetividade diagnóstica. "
"Os estudantes apresentam diferentes Estilos de Aprendizagem (EA), o que torna a identificação individual desses perfis um desafio relevante para a personalização do ensino. Métodos pedagógicos generalistas tendem a desconsiderar tais diferenças, podendo comprometer a efetividade do processo educacional. No contexto das Engenharias, observa-se ainda uma escassez de estudos voltados à identificação automatizada dos EA, especialmente por meio de técnicas computacionais aplicadas a dados textuais. Este estudo propõe um modelo para identificação dos EA de estudantes de engenharia utilizando técnicas de Processamento de Linguagem Natural (PLN) e Aprendizagem de Máquina baseado no Modelo de Estilo de Aprendizagem proposto por Felder e Silverman (1988). A metodologia adotada segue uma abordagem experimental, quantitativa e qualitativa, envolvendo pré-processamento linguístico, rotulagem fraca baseada em léxicos e modelagem com diferentes arquiteturas: TF-IDF, Word2Vec e Transformers (BERT). Os resultados revelam que a classificação automática de estilos de aprendizagem (PLN + AM) é viável e apresenta alta precisão. Entre os modelos avaliados (TF-IDF, Word2Vec e Transformers), a arquitetura BERT apresentou o desempenho superior em todas as dimensões do modelo de Felder e Silverman (1988), alcançando um F1-score máximo de 0,9478 e uma robustez discriminativa superior confirmada pelas curvas ROC (AUC). O uso de representações contextuais profundas superou consistentemente abordagens tradicionais, especialmente em dimensões de maior complexidade semântica. A validade estatística dos resultados foi reforçada pelo teste de Friedman (p-value: 0,0165 na dimensão Ativo/Reflexivo), enquanto as matrizes de confusão ratificaram a eficácia do modelo em distinguir traços cognitivos latentes a partir de dados textuais, consolidando o BERT como a ferramenta mais robusta para a personalização de ecossistemas educacionais. Esses achados demonstram o potencial das técnicas de PLN para apoiar a identificação automatizada de estilos de aprendizagem e contribuir para estratégias educacionais mais personalizadas no ensino de engenharia."